© 2013 by Litieh. Todos os direitos reservados.

O CD Catiré está disponível em todas as plataformas digitais 

   Com composições da artista, produção musical do pianista Felipe Viegas direção musical dele e de Renato Galvão, baterista deste trabalho, fica aqui o convite ao mergulho nessa sonoridade contemplativa, poética, nostálgica.  Conheça o disco através das plataformas digitais ou peça o seu.

 

 

     A cantora e compositora Litieh conheceu Catiré, águia guerreira, (um índio da tribo Pataxó) no sul da Bahia. A viagem começou com duas irmãs. Uma delas, trouxe uma história bem bonita a respeito: a indiazinha Naiara, apaixonada pela lua, seguiu seu reflexo até o rio. Adentrou. Não sabia nadar mas amava o luar. Ela se foi água abaixo e renasceu em forma de uma linda flor. A viagem se completa por entre índios, um violão, uma rede, uma casa na beira do Rio d´Oxum e a alguns passos do mar de Iara, num tempo sem relógio, de sol, amor e canção.

 

     Ao voltar para a “ília” do cerrado, ao céu de mar, compôs várias canções, uma delas, Catiré. Nasceu Beira do Rio, caminhante “estação” entre a dor e a utopia do amor. Desancorado, um retrato emocionante que se despede do mar para poder lutar pelo sonho da arte na cidade.

 

     Por Aí, se fez da necessidade de contar de onde vem, para onde vai. Do movimento das linhas dos baixos de Seu Luiz paralelas à vida. Existe uma naturalidade pulsante na estrada, vinda desse tino dom de cantar.

 

     Rosa Maria, em parceria com Wilson Bebel, foi a primeira canção de Litieh. Dos lugares lindos dessa Brasília, dos vales e roseiras e amanheceres, surgiu tal doçura, cheia de afeto.

 

     Sebastiana, que leva o nome de sua avó, começou em sua cidade natal, lugar de lago, sóis, crianças brincando na rua, esteio e amor. Os trilhos que nos ligam são as memórias, os sons e a distância terna no coração, que se acaba em um segundo, ao chegar, ser recebida em seu lar, com a vó na janela e o bolo de fubá. Ver tudo isso é um grande rebento. Lembrar mais ainda. Com influências brasilienses, de Joyce, Caymmi e Clube da Esquina.

 

     Ser de lá, certamente, do mato de um sertão mais úmido, com o gosto interiorano pela cama dura, torresmo, e poema turrão, pelas sutilezas que nos buscam diariamente, é apaziguante. Cantar o Lamento Sertanejo mais ainda... Viaja nas lembranças, traz e faz os amigos. Ser de lá jamais deixa de se contrariar com a cidade.

 

     Contemplação, a mais recente filha, nasceu das águas, da chuva lá fora, das palavras soltas de Rubem Alves sobre Deus, da ancestralidade. Mariô, do dendê, abre caminhos através de São Jorge, o grande guerreiro e protetor. Àquela que brinca nas águas, à Deusa dos rios da Terra e dos que passam por nós, em nossos corações, que saem por entre sais através dos olhos, meus cumprimentos: Òra ièiè ò.

 

Noite Dia, poesia latente brasiliense, de sons e de letra. Estória de vida. Criada pra emocionar a voz, o olhar, e o pulsar. Choros de jazz.

 

     “Uma gota é Esperança e fé, o resto desse mar, é medo. Ah, coração!” ...De Bebel, mas tão minha, cantada da profundeza de meu ser.

 

     Quem nunca teve vontade de viajar esse Brasil de norte a sul, de leste a oeste? Acelerar Ladeira Acima, pra Caicó, quebrar o coco e cantar pra subir? Ver os cantadores de todo o canto? Ouvir e cantar retratos da nossa riqueza brasileira?

 

     Pois quem vai dizer que a vida não é uma grande Festa?! Gonzaguinha gerou, Gonzagão cantou, na maior felicidade do mundo. Pois sim, é a alegria, o fogo, a negrada, a cultura, a mistura, nosso alto Nordeste. Reflexos da seca, cantos pra chuva. Inspiração do ser que nos move. Por fim, que não se acabe, Hermeto nos deu a respiração e nossos pianistas arranjaram. Grandes!

 

   Catiré é uma grande saudade, a união de grandes saudades existentes nos encontros e desencontros dessa vida. Nos afluentes: pessoas, lugares, sensações, família, amigos, grandes estórias, muita arte, muito som, nostalgia e vida.

 

     Claro, nessas grandes estórias estão grandes influências brasileiras, brasilienses e do Mundo afora. Estão Tom Jobim, Djavan, Milton Nascimento e o Clube da Esquina, João Bosco, Gilberto Gil, Caetano, Dominguinhos, Hamilton de Holanda, Pedro Martins, Wilson Bebel, Ebinho Cardoso, Elis Regina, Rosa Passos, os Caymmi, Leny A., Cartola, Fabiana Cozza, Clara Nunes, Ella, Esperanza Spalding, Avishai Cohen, Tigran Hamasyan. É um mundo em que tudo que entrou permaneceu e se desorganizou pra se transformar com sede, dia pós dia, melodia pós melodia, ritmadamente, em música brasiliense.

 

     Sob essas inspirações sonoras, vários músicos do quadrado vivem. O produtor e diretor musical do disco, Felipe Viegas, é uma dessas pessoas, que rapidamente se afinou com as composições e o trabalho de Litieh. Num entendimento certeiro, fez belíssimos arranjos, sendo vários em parceria com todo o grupo que gravou o CD, dentre eles destaca-se Renato Galvão, o baterista, músico e amigo que divide a direção musical do trabalho.

 

     Ainda, com as parcerias incríveis de Cairo Vitor, violonista; Misael Silvestre, pianista; Lucas Rodrigues, baixista; e Léo Barbosa nas percussões astrais nasceu Catiré, gerado e consolidado sob o Céu de Brasília, sobre o chão do cerrado. Foram grandes músicos, grande encontro, saudade e mistura. Somado a todo nosso respeito, admiração e amor à música, à história musical da nossa cidade, à nossa ancestralidade, vive hoje, Catiré! Salve! Desfrutem.

 

 

Brasília, 17 de junho de 2015.

 

  • Black Facebook Icon
  • Black Instagram Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black SoundCloud Icon
  • Black YouTube Icon

         "Por desfolhar-me é que

eu não tenho fim..."

                   (Cecília Meireles)